
The last time I saw you
We had just split in two
You were looking at me
I was looking at you
Amor. Substantivo Masculino. Oxítona. Derivado do latim, amore.
Palavra simples, sentimento difícil de definir.
Volátil. Vulnerável. Desconhecido.
Percebi hoje um certo "amor" por "amar". Uma certa vontade que dá nas pessoas de dizer "te amo", embora há um mês atrás elas tenham dito isso para alguém completamente diferente.
É estranho perceber como sentimentos mudam. Estranho notar como alguém que estava "disposto a morrer de amores por você ontem", hoje diz que ama outra pessoa.
A substituição, feita de forma rápida e apressada, me faz duvidar da veracidade dos sentimentos. Não é possível esquecer alguém que se amou - louca e desesperadamente - em menos de um mês. É?
Não estou falando de mim. Não me apaixonei. Não estou apaixonada. Ninguém disse que me ama para depois me substituir por outra. Foi só um comportamento que notei enquanto navegava pelo orkut de conhecidos.
Se o amor deles, assim como o de Vinícius, é tão volátil, frágil e temporário, por que algumas pessoas ainda insistem em acreditar em tal sentimento?
O que me faz ter certeza de que o grande amor da minha vida, o cara que me completa até em seus defeitos, ainda está por aparecer? O que me faz querer acreditar nisso?
Se até mesmo quando cantaram "eu sei que vou te amar, por toda a minha vida" era uma farsa - Vinícius de Moraes se casou 4 ou 5x -, por que continuamos a cantar um sentimento que está fadado a se tornar banal? Sem sentido?
Nada explica a fascinação humana pelo amor. A necessidade que sentímos em amar e sermos amados.
No final, os contos de fadas vendidos em filmes como Cidade dos Anjos, Um Amor Para Recordar e Moulin Rouge - O Amor em vermelho, são só...contos de fadas. Histórias da caroxinha. Para boi dormir.
Parece que ninguém hoje em dia está disposto a amar eternamente alguém que já morreu. Tudo é substituível. Tudo é superficial.
Não sei se Hedwig amou eternamente seu "muso" inspirador. Só sei prefiro a versão dele em "The Origin Of Love" para definir o amor.
"(...)
You had a way so familiar
But I could not recognize
'cause you had blood in your face
And I had blood in my eyes
But I could swear by your expression
That the pain down in your soul
Was the same as the one down in mine
That's the pain
That cuts a straight line down through the heart
We call it love
So we wrapped our arms around each other
Trying to shove ourselves back together
We were making love
Making love
It was a cold dark evening such a long time ago
When by the might hand of Jove
It was a sad story how we became
Lonely two-legged creatures
It's the story
The origin of love
That's the origin of love."
(Hedwig and The Angry Inch)

Um comentário:
Oi!
É um ótimo post! Quando cheguei ao seu blog pelas mãos do acaso, li ele todo sem parar e gostei de muita coisa que vc escreveu...mas esse último é o meu preferido!
Sobre o amor...também tenho as mesmas questões que vc, eu também
gostaria de entender tudo. Explicações até existem, mas até o
momento não encontrei uma que feche em todos os pontos...até encontrei, mas insisto em não aceitar.
Desde que li a explicação existencialista de Sartre para o que é o amor, no livro O ser e o nada, adotei essa como minha também, mas em silêncio...falar sobre o amor sempre resulta em discussões infindáveis, geralmente em algum buteco...rs
Para Sartre o outro é o "mediador indispensável entre mim e mim mesmo", precisamos do outro para conhecer plenamente a nós mesmos...é a dicotomia sujeito-objeto...em uma relação entre duas pessoas, uma tende a ser mais sujeito e outra tende a ser mais objeto, o que torna toda relação sadomasoquista, no sentido mais "puro" da palavra. Enfim, a vontade de amar está intimamente ligada à vontade de subjugar a vontade do outro.
Não, eu não gosto de pensar assim, mas reconheço que essa explicação
tirou todas as minhas ilusões, o que já é menos um problema...rs Desculpe o comentário tão longo, mas realmente adorei o seu post...
Adoro esse soneto de Camões, é nisso que eu queria acreditar, é assim que deveria ser!!
Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luís de Camões
Felicidades...todas as possíveis!!
Alessandro.
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