Yasmin tem 4 anos. E sonha em fazer 6.
Para ela, as meninas de 8 tudo podem.
São como grandes garotas, independentes.
Crystina Carolina tem 22. Mas sempre quis ter 18. Gosta do número 19, mas já que não pode voltar para esta idade, se conforma em fazer 23 no ano que vem.
E é só. Carolina pretende parar nos 23. E permanecer por longos anos, até completar 33 ou 44. Esses sim são números legais.
A avó de Crystina tem 80. Completou hoje. Acho que ela também pretende parar a idade por ai. Ok, vó. Só vamos atualizar sua idade quando a Sra. chegar aos 90. Enquanto isso, feliz aniversário.
domingo, agosto 27, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
(...a million times I asked you)
And then
I asked you over again
A memorable Julia Roberts' line at Nothing Hill:
"After all... I'm just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her."
Aren't we all, my dear?
'Perhaps, perhaps, perhaps.'
(Cake)
I asked you over again
A memorable Julia Roberts' line at Nothing Hill:
"After all... I'm just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her."
Aren't we all, my dear?
'Perhaps, perhaps, perhaps.'
(Cake)
terça-feira, agosto 22, 2006
sábado, agosto 19, 2006
(...os nossos japoneses são melhores)
...do que os da Concorrência.
Calma, Clau.
Eu explico o post abaixo.
Sim, eu sei que os japoneses são legais. Você é um exemplo. E conheço vários outros.
Mas nem tudo na vida a gente explica.
Não consigo explicar, por exemplo, porque gosto de mostarda e não gosto de peixe. Porque acho caras de óculos, em sua maioria, atraentes e odeio garotos muito perfeitos, tipo o Marcelo Anthony.
Com os japoneses é a mesma coisa. Acho que eles são uns amores, mas nunca namoraria um porque simplesmente não me sinto atraída pelo tipo. Assim como não sinto atração por negros. Não é preconceito, é uma questão de não rolar química com aquele biotipo.
Bem, explicada a parte dos biotipos...
Que ia ser divertido dar um neto moreninho pra minha mãe, isso ia. O japinha já tá a caminho.
Mas é muito cedo para pensar em (mais) netos.
Calma, Clau.
Eu explico o post abaixo.
Sim, eu sei que os japoneses são legais. Você é um exemplo. E conheço vários outros.
Mas nem tudo na vida a gente explica.
Não consigo explicar, por exemplo, porque gosto de mostarda e não gosto de peixe. Porque acho caras de óculos, em sua maioria, atraentes e odeio garotos muito perfeitos, tipo o Marcelo Anthony.
Com os japoneses é a mesma coisa. Acho que eles são uns amores, mas nunca namoraria um porque simplesmente não me sinto atraída pelo tipo. Assim como não sinto atração por negros. Não é preconceito, é uma questão de não rolar química com aquele biotipo.
Bem, explicada a parte dos biotipos...
Que ia ser divertido dar um neto moreninho pra minha mãe, isso ia. O japinha já tá a caminho.
Mas é muito cedo para pensar em (mais) netos.
quinta-feira, agosto 17, 2006
(...i didn't know i was looking for love)
Japoneses nunca fizeram meu tipo. Talvez porque um tenha me perseguido na quinta série e me deixado traumatizada.
Mas tenho a ligeira impressão de que vou me apaixonar por um logo logo :)
Mas tenho a ligeira impressão de que vou me apaixonar por um logo logo :)
sábado, agosto 05, 2006
(...sempre, quase)
Você já teve a crise dos 30? Já parou pra pensar em toda a sua vida e reavaliou todas as suas prioridades? Já questionou suas escolhas e imaginou os "finais" diferentes?
E uma crise dos 30 aos 22? Você já teve dessas?
Como boa capricorniana que sou, sempre fui mais "madura" que os outros. Por isso, de nada me admira chegar a crise dos trinta oito anos antes.
Se eu não tivesse rompido com aquele cara que depois jurei estar apaixonada, estaria casada agora? Se eu não tivesse passado quatro anos jurando amor eterno ao mesmo cara, teria casado com aquele outro? Se eu escolhesse melhor quem entra na minha vida, tudo seria diferente? E a faculdade? O trabalho? A carreira? Os amigos?
Afinal, quem quer o diferente?
Não vou negar que já cogitei todas as outras possibilidades, mas não me sinto infeliz com a minha vida - na maior parte do tempo. É só de vez em quando que bate uma sensação de "o que foi que eu fiz até agora?".
O que eu fiz, não tenho certeza. Só sei que me tornei uma pessoa melhor - e não pior - devido à todas essas experiências. Não importa se foi preciso sofrer, fazer sofrer, quebrar a cara e descobrir o caminho do jeito mais difícil para chegar até aqui.
"Aqui" é um bom lugar. E ainda falta muito tempo pra virar uma balzaquiana.
Dá tempo de conquistar o que falta: o reconhecimento na carreira, o marido, as filhas, Londres, Atenas, Irlanda, Disney, meu Troller, estabilidade financeira e muito mais horas com quem eu amo.
Quanto aos outros finais, deixo-os para os Universos Paralelos.
E uma crise dos 30 aos 22? Você já teve dessas?
Como boa capricorniana que sou, sempre fui mais "madura" que os outros. Por isso, de nada me admira chegar a crise dos trinta oito anos antes.
Se eu não tivesse rompido com aquele cara que depois jurei estar apaixonada, estaria casada agora? Se eu não tivesse passado quatro anos jurando amor eterno ao mesmo cara, teria casado com aquele outro? Se eu escolhesse melhor quem entra na minha vida, tudo seria diferente? E a faculdade? O trabalho? A carreira? Os amigos?
Afinal, quem quer o diferente?
Não vou negar que já cogitei todas as outras possibilidades, mas não me sinto infeliz com a minha vida - na maior parte do tempo. É só de vez em quando que bate uma sensação de "o que foi que eu fiz até agora?".
O que eu fiz, não tenho certeza. Só sei que me tornei uma pessoa melhor - e não pior - devido à todas essas experiências. Não importa se foi preciso sofrer, fazer sofrer, quebrar a cara e descobrir o caminho do jeito mais difícil para chegar até aqui.
"Aqui" é um bom lugar. E ainda falta muito tempo pra virar uma balzaquiana.
Dá tempo de conquistar o que falta: o reconhecimento na carreira, o marido, as filhas, Londres, Atenas, Irlanda, Disney, meu Troller, estabilidade financeira e muito mais horas com quem eu amo.
Quanto aos outros finais, deixo-os para os Universos Paralelos.
(...quero ter alguém com quem conversar)
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.
Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui, com a minha própria lei.
Tenho o que ficou e tenho sorte até demais...
(Legião Urbana)
Numa época - no mínimo - conturbada, o texto de hoje do Mais Você caiu como uma luva.
Não podia explicar melhor a minha necessidade de querer um espaço para ser a resmungona e a palhaça, a responsável e a delinqüente, a altruísta e a egoísta, a filha perfeita e a garota ciumenta.
Dizem que querer é poder. E que eu tenho sorte na vida.
Mas a vida pára quando você deixa de sonhar, desejar, buscar.
E acreditar em sorte me parece um tanto conformista.
O que eu quero? Ser capaz de abstrair quem eu acho que devo ser e ser quem eu sou. Assumir meu lado egoísta, resmungão, inexperiente e saber que isso não me torna incapaz. Ter noção de que eu nunca vou alcançar a perfeição, mas saber o momento certo de buscá-la.
Quero ter a certeza de que conquistei meu canto no mundo. De que tenho um espacinho só meu na memória ou no "coração" das pessoas.
Eu quero meu lugar, seja como filha, irmã, amiga, neta, tia, sobrinha, afilhada, redatora ou namorada.
E quero que esse espaço seja só meu. Quero que as histórias da minha vida - ou mesmo a minha vida - não se percam com o tempo. E que daqui 20 ou 30 anos, alguém ainda se lembre daquela garotinha que queria conquistar o mundo.
Será que isso é mesmo tão fútil, egoísta ou narcisista?
O que mais você quer?
Martha Medeiros
(...)
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa.
Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.
Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.
E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir.
O que eu quero mais?
Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, maridos e filhos e bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã.
E quero mais tempo livre. E mais abraços. E receber mais flores.
Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.
Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui, com a minha própria lei.
Tenho o que ficou e tenho sorte até demais...
(Legião Urbana)
Numa época - no mínimo - conturbada, o texto de hoje do Mais Você caiu como uma luva.
Não podia explicar melhor a minha necessidade de querer um espaço para ser a resmungona e a palhaça, a responsável e a delinqüente, a altruísta e a egoísta, a filha perfeita e a garota ciumenta.
Dizem que querer é poder. E que eu tenho sorte na vida.
Mas a vida pára quando você deixa de sonhar, desejar, buscar.
E acreditar em sorte me parece um tanto conformista.
O que eu quero? Ser capaz de abstrair quem eu acho que devo ser e ser quem eu sou. Assumir meu lado egoísta, resmungão, inexperiente e saber que isso não me torna incapaz. Ter noção de que eu nunca vou alcançar a perfeição, mas saber o momento certo de buscá-la.
Quero ter a certeza de que conquistei meu canto no mundo. De que tenho um espacinho só meu na memória ou no "coração" das pessoas.
Eu quero meu lugar, seja como filha, irmã, amiga, neta, tia, sobrinha, afilhada, redatora ou namorada.
E quero que esse espaço seja só meu. Quero que as histórias da minha vida - ou mesmo a minha vida - não se percam com o tempo. E que daqui 20 ou 30 anos, alguém ainda se lembre daquela garotinha que queria conquistar o mundo.
Será que isso é mesmo tão fútil, egoísta ou narcisista?
O que mais você quer?
Martha Medeiros
(...)
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa.
Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.
Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.
E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir.
O que eu quero mais?
Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, maridos e filhos e bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã.
E quero mais tempo livre. E mais abraços. E receber mais flores.
Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.
quarta-feira, agosto 02, 2006
(...fatos da vida: parte nove mil, novecentos e noventa e nove)
(...esse é só o começo do fim da nossa vida)
Especialmente hoje não farei um texto sobre neuroses próprias. Colocarei, sim, um texto de alguém que fala sobre a paranóia de todo publicitário.
E se a propaganda algum dia acabar? E se a gente virar vilão?
*O autor do texto, para quem não sabe, é o F da F/Nazca, uma put@ agência.
O fim da publicidade
FABIO FERNANDES
Num país distante, um sujeito estava vendo tevê. Passou um comercial de cerveja. O sujeito sorriu. Na verdade, gargalhou. Ele gostava de comerciais como aquele, com bom humor. Aí ele olhou para o lado e viu que seu filho tinha gostado também: “Legal esse né, pai?”. Concordou. E passou a odiar aquele comercial.
Como é que podia um comercial engraçado, agradar também ao seu filho, um imberbe menor de idade? Se eu, que sou inteligente para discernir entre o certo e o errado, quase gostei desse comercial como não estará a legião de pobres incautos consumidores?
Decidiu escrever uma carta para o Congresso. Algum deputado leu e concordou: inteligente, já havia pensado nisso. Fez um projeto de lei que foi votado e... pronto, salvou a sociedade: nunca mais haveriam comerciais de cerveja a infestar as ingênuas e influenciáveis cabecinhas.
Tempos depois, outro consumidor atento reparou nos comerciais de cosméticos. Ora, raciocinou, a busca pela juventude eterna, a celebração da estética, tudo em detrimento do conteúdo verdadeiro de nossas almas. Isso corrobora o abismo entre os despossuídos, que estarão irremediavelmente associados ao conceito do “feio” enquanto aos mais ricos caberá sempre a imagem de jovialidade, beleza e saúde. Solução: fim da propaganda de cosméticos em geral.
Todos aplaudiram no Congresso daquele país. Mas, eis que outro senador, igualmente inteligente (mais que a média da população daquele país, com tão poucos consumidores inteligentes), levantou outra questão. Se automóveis atropelam e matam, então melhor seria que não fossem anunciados para não despertarem nas próximas gerações a vontade de dirigi-los.
Foi por aclamação: aprovado. Assim como a emenda contra propagandas de hambúrgueres, e, já que esse era o assunto, de alimentos e restaurantes em geral, que era mesmo um despautério num país com tanta fome se admitir propaganda mostrando pessoas felizes comendo.
Aliás, por que as pessoas tinham que estar alegres na publicidade? Para despertar rancor nos entristecidos? E ficou proibido o sorriso na propaganda. No máximo seria permitida uma insinuação, de canto de boca. E depois da meia-noite, já que os tristes dormem cedo. Alguém lembrou dos insones solitários. E cortaram do texto aquela liberalidade.
Propaganda de moda? Segregacionista. De sabão em pó? Racista, sempre que valoriza o branco. De banco? Pelo amor de Deus, será que ninguém ainda parou para ver o que está embutido nas mensagens dos comerciais de banco, gente? A sensação de que só com o dinheiro se pode ser feliz, lógico! Cartão de crédito? Este mês, até sem dinheiro, você pode ser feliz, caramba.
Nos jornais, a imprensa apoiava cada uma das medidas. Alguns jornalistas adoravam a idéia de que seus salários são integralmente pagos pelo leitor que compra jornal na banca: publicidade só enfeia o conteúdo editorial.
A sociedade acuada pela sórdida propaganda apoiava as medidas. E reclamava de toda publicidade que brincasse com qualquer uma das suas convicções pessoais. Gordo não pode, magro, também. Padre, freira, careca, viúva, estudante, feio, bonito, mais ou menos feio, surfista, narigudo... nem pensar. Satirizou homem, é feminista. Mulher, lógico, é machista. A sociedade estava de mau-humor.
Até que um dia, alguém na casa do vizinho sorriu. Na verdade, gargalhou. E o sujeito que ouviu aquilo, não se sabe por que, teve uma intuição de que aquilo poderia ter alguma coisa a ver com a *&*%#!+*# (a palavra “propaganda” tinha sido proibida). Será que inventaram um câmbio negro de *&*%#!+*# e o meu vizinho conseguiu com traficantes uma fita de vídeo cheinha de *&*%#!+*#s engraçadas?, pensou o um formador de opinião. Pelo sim, pelo não, chamou a polícia.
E se a propaganda algum dia acabar? E se a gente virar vilão?
*O autor do texto, para quem não sabe, é o F da F/Nazca, uma put@ agência.
O fim da publicidade
FABIO FERNANDES
Num país distante, um sujeito estava vendo tevê. Passou um comercial de cerveja. O sujeito sorriu. Na verdade, gargalhou. Ele gostava de comerciais como aquele, com bom humor. Aí ele olhou para o lado e viu que seu filho tinha gostado também: “Legal esse né, pai?”. Concordou. E passou a odiar aquele comercial.
Como é que podia um comercial engraçado, agradar também ao seu filho, um imberbe menor de idade? Se eu, que sou inteligente para discernir entre o certo e o errado, quase gostei desse comercial como não estará a legião de pobres incautos consumidores?
Decidiu escrever uma carta para o Congresso. Algum deputado leu e concordou: inteligente, já havia pensado nisso. Fez um projeto de lei que foi votado e... pronto, salvou a sociedade: nunca mais haveriam comerciais de cerveja a infestar as ingênuas e influenciáveis cabecinhas.
Tempos depois, outro consumidor atento reparou nos comerciais de cosméticos. Ora, raciocinou, a busca pela juventude eterna, a celebração da estética, tudo em detrimento do conteúdo verdadeiro de nossas almas. Isso corrobora o abismo entre os despossuídos, que estarão irremediavelmente associados ao conceito do “feio” enquanto aos mais ricos caberá sempre a imagem de jovialidade, beleza e saúde. Solução: fim da propaganda de cosméticos em geral.
Todos aplaudiram no Congresso daquele país. Mas, eis que outro senador, igualmente inteligente (mais que a média da população daquele país, com tão poucos consumidores inteligentes), levantou outra questão. Se automóveis atropelam e matam, então melhor seria que não fossem anunciados para não despertarem nas próximas gerações a vontade de dirigi-los.
Foi por aclamação: aprovado. Assim como a emenda contra propagandas de hambúrgueres, e, já que esse era o assunto, de alimentos e restaurantes em geral, que era mesmo um despautério num país com tanta fome se admitir propaganda mostrando pessoas felizes comendo.
Aliás, por que as pessoas tinham que estar alegres na publicidade? Para despertar rancor nos entristecidos? E ficou proibido o sorriso na propaganda. No máximo seria permitida uma insinuação, de canto de boca. E depois da meia-noite, já que os tristes dormem cedo. Alguém lembrou dos insones solitários. E cortaram do texto aquela liberalidade.
Propaganda de moda? Segregacionista. De sabão em pó? Racista, sempre que valoriza o branco. De banco? Pelo amor de Deus, será que ninguém ainda parou para ver o que está embutido nas mensagens dos comerciais de banco, gente? A sensação de que só com o dinheiro se pode ser feliz, lógico! Cartão de crédito? Este mês, até sem dinheiro, você pode ser feliz, caramba.
Nos jornais, a imprensa apoiava cada uma das medidas. Alguns jornalistas adoravam a idéia de que seus salários são integralmente pagos pelo leitor que compra jornal na banca: publicidade só enfeia o conteúdo editorial.
A sociedade acuada pela sórdida propaganda apoiava as medidas. E reclamava de toda publicidade que brincasse com qualquer uma das suas convicções pessoais. Gordo não pode, magro, também. Padre, freira, careca, viúva, estudante, feio, bonito, mais ou menos feio, surfista, narigudo... nem pensar. Satirizou homem, é feminista. Mulher, lógico, é machista. A sociedade estava de mau-humor.
Até que um dia, alguém na casa do vizinho sorriu. Na verdade, gargalhou. E o sujeito que ouviu aquilo, não se sabe por que, teve uma intuição de que aquilo poderia ter alguma coisa a ver com a *&*%#!+*# (a palavra “propaganda” tinha sido proibida). Será que inventaram um câmbio negro de *&*%#!+*# e o meu vizinho conseguiu com traficantes uma fita de vídeo cheinha de *&*%#!+*#s engraçadas?, pensou o um formador de opinião. Pelo sim, pelo não, chamou a polícia.
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