sexta-feira, outubro 10, 2014

realidade é muito mais virtual

Por alguns instantes aquele som estridente rompe o silêncio da madrugada e ela se lembra de um artigo que leu. Nele, os pesquisadores explanavam sobre a angústia que um adulto sente ao ouvir o choro de um infante. Ela não lembra mais da fonte. Enquanto divaga, só consegue ouvir barulhos dos (poucos) automóveis que passam lá fora. A essa altura o bebê já dormiu. O choro parou.

Mas a vontade que sente de ter um destes nunca pára. Diminui. E volta. E diminui. E volta. Ela imagina que a dúvida nunca terá fim e às vezes, diante de uma janela de ônibus, contempla como seria a vida se tivesse um bebê no colo.

Em alguma realidade paralela, ela espera estar acalentando o choro passageiro, enquanto presta atenção nos outros sons da madrugada. Por enquanto, é só o que pode fazer.