segunda-feira, dezembro 05, 2005

(...nada é fácil de entender)

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do 5° andar

Ele pulou. Não do quinto, mas do décimo andar. Tal qual a música do Legião Urbana - Pais e Filhos - que ouvi ontem. Tal qual a história descrita.

Fatos da vida. Ninguém entende o por quê. Dizem que ele tomava remédios contra a depressão. Dizem que ele era louco, esquizofrênico até.

Ninguém assume sua parcela de culpa. Os pais, convenientemente, moram em outra cidade. Os amigos não foram encontrados para dizer o que aconteceu. O DCE nega o envolvimento dele com o movimento que ainda pinta as paredes lá fora.

Parece que ninguém o conhecia direito. Mas todo mundo o conhecia de vista. Ninguém sabia o nome completo e nem como pronunciava o sobrenome complicado - estrangeiro, típico de classe média alta. Mas todo mundo conhecia seu apelido.

Era uma figura carimbada no pátio da Reitoria. Estava sempre jogando bola ou peteca.

Hoje quando disseram que um estudante pulou do prédio, nem prestei atenção. Tem louco pra tudo. Quando surgiu o apelido, o estranho vazio que tomou conta de mim não fez sentido. Nós nem éramos amigos. Eu nem o conhecia.

O fato é que ele morreu. E ficou bem menor do que os quase 2 metros que possuia ao cair no chão.

Quais eram seus sonhos? O que ele gostava de fazer? Por que decidiu subir naquela cadeira? Será que vão lembrar dele?

Em meio a tantos conflitos, sua morte vai acabar se perdendo nos noticiários. E ninguém vai lembrar de dizer que ele era o Herman.


[Note to self: it's not worth it. what will your parents think? just get through life and then one day you'll die, naturally]

Rest in Peace.

Nenhum comentário: