sábado, outubro 12, 2013
Aranha-tatanha nem sempre funciona
Lembro da primeira vez que fiz meu sobrinho dormir. Assim, sem ajuda. A mãe dele estava ao meu lado, é claro, mas a sensação de ser capaz de acalmar uma criança sozinha é extremamente gratificante.
Dormir, pra mim, sempre foi uma mistura de facilidade e incapacidade. Às vezes durmo em qualquer lugar. Em outras situações, me pego pensando demais na vida. Nestes dias, o conforto da minha cama não é o suficiente. Os travesseiros não me bastam. E as posições e as cobertas incomodam.
É por isso que valorizo tanto o sono. É por isso que me sinto feliz quando consigo fazer o tal sobrinho, criança insone que é, dormir. Tem algo a ver com confiança, sabe? Saber que você pode fechar os olhos e se fazer vulnerável. Saber que tem uma pessoa ali pra velar teus sonhos.
Ontem acordei com choro. Num misto de incerteza de "should i stay or should i go", decidi ir. Me preparei mentalmente para permanecer calma e não demonstrar ansiedade e peguei o pequeno no colo. Ruminei, ruminei, ruminei e ele foi se acalmando. Comecei a cantar e ele voltou a chorar.
Acho que não posso investir na carreira de cantora, mas acredito já dominar o básico de como acalentar as crianças da família. E ah, que orgulho saber que ser "você", naquele momento basta.
Boa noite, Pipe. Boa noite, Tomatt.
Feliz Dia das Crianças pros meus pequenos amores.
"Dorme menino levado,
Dorme que a vida já vem.
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem..."
(O filho que eu quero ter, Chico Buarque)
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