quarta-feira, junho 28, 2006

(...yes, it was my way)

I've lived a life that's full -
I've travelled each and every highway.
And more, much more than this,
I did it my way.


Como eu sou boba. Às vezes me pego chorando por um email, chorando porque não posso comprar comida pra todo mundo que passa fome ou porque escolhi uma coisa e, por isso, tive que abrir mão de outra.

Às vezes eu choro porque não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, porque o peso do Mundo é grande demais e eu não consigo suportar tudo. Às vezes choro por bobagem, por um filminho triste que mostra a desgraça da vida. E nenhum filme consegue me fazer chorar mais do que A Corrente do Bem.

Mas hoje me peguei chorando pensando na minha avó. Não, ela não está doente. Fora uma dor no joelho e algumas crises de memória, ela vai muito bem, obrigada.

To think I did all that,
And may I say, not in a shy way -
Oh no. Oh no, not me.
I did it my way.

Minha avó é uma figura. Ela copia as respostas da Cruzadinha na cara dura e diz que é pra, da próxima vez, saber como responder. Ela me conta mil vezes a mesma história de quando era mocinha e explica o valor das amizades, o valor de se escolher o cara ideal pra casar.

Minha avó faz questão de cozinhar todos os dias, mesmo quase chegando aos 80, mesmo com o joelho doendo.

E por mais que eu saiba que ainda temos muitos anos juntas, não posso deixar de pensar que o tempo dela está escorrendo muito rápido. E é a minha única avó viva.

Às vezes ela chora quando a emoção é muito forte. Lembro dela chorando quando cheguei em casa da minha formatura. E sei exatamente o som do choro da minha avó, assim como sei o som do choro da minha mãe e da minha irmã.

Espero não ter que ouvir o choro de ninguém por alguns bons (muitos!) anos - a não ser que seja choro de felicidade. Espera, vó. Logo logo eu te dou mais motivos pra se orgulhar! Espero que a senhora possa conhecer seus bisnetos - vai demorar um pouco, mas chegaremos lá.

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