De repente me dá um aperto no peito. Uma vontade de sumir.
São as incertezas: do futuro, da vida, dos sentimentos. E as certezas: de que o tempo passa, de que não sou mais tão necessária, de que a ausência já virou costume.
É uma saudade tão grande que dói. É o saber que a vida é assim.
Às vezes vocês andam mais junto, às vezes passam meses sem se falar. Aquela pessoa com quem conversava diariamente, que foi tão importante na sua adolescência, que te viu crescer, que te fez ver o mundo de outra maneira, já não tem mais tanto contato assim contigo.
Outras pessoas surgem. Outros pontos de vista, outros papos. Você se distrai e acaba esquecendo da falta, da ausência. Mas fica lá, aquele vazio todo. Aquele lugar reservado para melhores amigos, para amigos-irmãos. E de vez em quando - só de vez em quando - você se revolta com a vida. Com o fato de que o tempo passa e as pessoas se distanciam. E você fica triste com isso porque no fundo, no fundo, quer ter todos a quem ama por perto.
Mas "por perto" e "todos" nunca parece possível. Nem em datas importantes, como a sua formatura.
E eu ainda não esqueci do que você me disse. Mas como pode você me amar se nem mesmo parece sentir a minha falta? E pra que sirvo eu, senão pra "amortecer" o peso da vida com piadas idiotas - feitas só pra alegrar meus amigos?
Pior do que a saudade, deve ser o ciúme.
quarta-feira, maio 31, 2006
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