sexta-feira, setembro 29, 2006

(...silent silent sigh)

Come see what we all talk about
People moving to the moon
Stop baby don't go stop here
Never stop living here
Till it eats the heart from your soul
(Badly Drawn Boy)


E a lição que aprendemos hoje, crianças, é que nem sempre sua 'dedicação integral' é encarada desta forma. Você pode passar meses deixando de lado (quase) tudo que considera por uma promessa e descobrir que não valeu a pena no final. Ou talvez tenha valido. São experiências. Tem gente que só tem essa promessa. E tem gente, como Andy Sachs e Crystina Carolina, que percebe a vida de uma forma muito diferente.

No final, O Diabo veste Prada. E Crystina Carolina passa a vestir pijamas novamente.
Pelo dia inteiro, enquanto durar esta fase.

domingo, setembro 17, 2006

(...fifty things you didn't know)

Ok. A TT me deu essa missão, mas acabei me empolgando um pouco demais. Era pra ser um post com as "6 Coisas que Você Não Sabia Sobre Mim". Viraram 50.
Com certeza tem muito mais que eu esqueci de colocar, mas decidi parar em um número redondo.


PS: Cláu, Van, encarem como um post comunitário e façam os seus "6 coisas que você não sabia". O desafio está lançado! Eu já fiz mais do que deveria :)





"50 Coisas que Você Não Sabia Sobre a Dona do Blog"
Por mim mesma.

1. Sou inconstante. Amo, ao mesmo tempo que odeio. Desejo, ao mesmo tempo em que desprezo. Quero ir, mas quase sempre opto por ficar.

2. Pareço ser racional, fria, calculista. Mas às vezes preciso de colo e faço tudo pelas pessoas que amo.

3. Odeio depender de alguém. Odeio que dependam de mim.

4. Às vezes queria ser inconseqüente. Mandar às favas aquela imagem de certinha. O problema é que metade de mim gosta dela.

5. Já pensei em morrer. Não me matar, mas morrer. Estar assim, à toa, e de repente puff.

6. Sofro de um grande mal: a empatia. Não suporto ver qualquer ser vivo sofrendo. Principalmente se for algum ser que eu ame demais.

7. Acredito em Destino, em Anjos e Espíritos. Minhas opiniões sobre Deus ainda são conturbadas. Acredito numa Força Maior, mas ainda não me acostumei a rezar. Acho hipocrisia.

8. Sou fã de coisas bregas. Adoro músicas que minha mãe ouvia quando eu era criança. Ouço até hoje uma k7 de "sertanejos de raíz" que ela tem em casa - e gosto.

9. Grande parte do meu gosto musical foi constituído ao longo dos anos, por diversas influências. Por isso, hoje escuto de Punk à New Age, de MPB à Metal Melódico. Algumas coisas gosto mais, outras menos. A princípio, não gosto de nada novo, mas logo me acostumo. Com algumas exceções, é claro. Tem coisa que não desce.

10. Já cogitei mudar de opção sexual logo após uma experiência meio "Boys Don't Cry", aquele filme da Hilary Swank. Descobri que sou fã das coisas complicadas, dos opostos, e que todo Lego tem sua pecinha. Insira o Plug A no Slot B.

11. Sou maluca, fanática, doente por crianças - desde que elas não sejam birrentas e mal-educadas. Quero duas: a Clara e a Pietra. E quero poder olhar pro rostinho delas e descobrir que elas são mais parecidas com o pai do que comigo. Ou vice-versa.

12. Descobri que sou igual à minha mãe em muitas coisas. Mas sou mais parecida com meu pai e em alguns momentos ajo como ele.

13. Ainda não sei o que quero ser da vida. Pra dizer bem a verdade, meus planos eram terminar a faculdade e casar. Ai poderia ser o que quisesse, sem a responsabilidade de ter que sustentar uma casa sozinha.

14. Quase fui trocada na maternidade, antes mesmo de ter nascido.

15. Gosto de velocidade. De correr, correr, correr de carro e sentir a adrenalina no sangue. Mas às vezes me assusto com os imprevistos.

16. Já vomitei em um carinha que gostava e com quem tinha acabado de ficar no ano passado.

17. Já sofri por amor, já quebrei a cara, já aprendi a me defender.

18. Acredito que as coisas têm seu momento certo. Por isso, às vezes fico parada esperando que o Destino exerça sua força.

19. Quando era pequena, levei uma paulada na nuca que resultou em problemas na coluna. Uma vez fui plantar bananeira numa aula de Atletismo e fiquei 3 dias sem mexer o pescoço. Nunca pude fazer judô.

20. Quase entrei pra equipe de Atletismo no segundo grau. Desisti porque precisava acordar cedo.

21. Odeio acordar cedo. Não consigo dormir antes das 22h.

23. Já quase desenvolvi bulimia, mas sempre me convenço que isso é pra mentes fracas.

24. Não gosto de cerveja, não sou fã de vodka e acho campari um horror, mas continuo bebendo de vez em quando.

25. Sou péssima em balizas. Mas estou melhorando. Estaciono todo dia numa garagem de prédio horrível, coisa que meu pai nunca fez em mais de 20 anos que minha tia mora aqui.

26. Sou neurótica, insegura, paranóica e às vezes me isolo no meu próprio mundinho.

27. Não me peça para fazer small talk com pessoas que mal conheço. Fico inibida, não falo nada e passo por metida ou antipática.

28. Sou a Rainha das Abobrinhas. E das idéias insanas e sem sentido. Acho que às vezes fica difícil pros meus amigos entenderem minha linha de raciocínio non sense.

29. Adoro passar medo com filme de terror. Mas depois não durmo a noite ou tenho que me esconder embaixo do cobertor.

30. Me pego chorando toda vez que vejo Cidade dos Anjos e A Corrente do Bem.

31. Não gosto de chorar na frente dos outros. Detesto me sentir vulnerável.

32. Preciso de um terapeuta. Alguém que valide todas as minhas teorias. Sim, porque eu já sei tudo sobre as minhas neuroses. Só não sei como curá-las.

33. Eu adoro escrever. Deu pra perceber?

34. Acho que tenho TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo. E TDA - Transtorno de Déficit de Atenção. Não consigo ler um livro até o fim pois me chateia. Não tenho paciência para ouvir uma música inteira.

35. Desenvolvi duas novas obsessões: tênis novo e lápis bem apontado. Passo horas procurando o primeiro pra comprar e apontando o segundo, pra só depois escrever.

36. Ainda não fui pra Inglaterra porque sinto um puta medo de me dar mal.

37. Tenho medo que minha família (e meus amigos) fiquem muito bem sem mim. Ninguém é insubstituível, tá certo. Mas a possibilidade de ser só mais uma e não fazer falta me assusta.

38. Às vezes tenho vontade de sumir, só pra ver como será o mundo sem mim.

39. Preciso - e muito - dos meus momentos de solidão. De colocar a cabeça em ordem, dar vazão pro meu lado dramático, de ouvir música deprê. Só então consigo voltar a ser a garota que faz piada de tudo.

40. Sim, eu sou egocêntrica. Posso não ser minha fã número um - porque, com certeza, sou minha maior crítica -, mesmo assim acho que tenho um certo valor. Você não vai me ver repartindo meu tempo com quem julgo não merecer.

41. Atraio loucos, depressivos e lésbicas. Sou um grande imã pros problemáticos do mundo. Isso me cansa.

42. O mórbido, o bizarro, o Oculto, a Psicologia e a Mitologia muito me atraem.

43. Sinto nojo de caras asquerosos que acham que tudo podem. Não gosto de me vestir pra chamar atenção - e tudo isso tem a ver com o típico complexo de pai ausente.

44. Tenho estilo próprio. "Alternativo", como diria meu primo. O que me leva a atrair ainda mais a atenção das lésbicas. E ainda menos os carinhas da minha idade.

45. Sou consumista e impaciente. Detesto ter que esperar o "próximo salário" pra comprar o que quero.

46. Adoro viajar. Mas sempre adorei voltar pra casa e sentir o cheiro de cera do chão, o aroma do meu travesseiro, o cheirinho de sabão e amaciante dos meus cobertores. Não existe lugar como o próprio lar.

47. Vivo metade do tempo com a minha tia. E metade do tempo com os meus pais. Queria mesmo era morar sozinha, mas acho que surtaria.

48. Costumo comer demais na semana que antecede aquele período do mês. E sou preguiçosa demais para entrar numa academia. Logo logo a gordura vai começar a acumular. A menos, é claro, que eu arranje um namorado pra resolver o outro problema dessa época: o subir pelas paredes.

49. Sou exigente. Imponho critérios para toda pessoa que entra na minha vida. Me apaixonar por alguém leva séculos. Avalio desde gosto musical até o que os pais do guri fazem na vida.

50. E por último, e não é nenhuma novidade, sou uma furona. Marco, sinto preguiça e não vou. Invento desculpas esfarrapadas e ninguém mais acredita - se é que acreditaram em alguma ocasião.

domingo, setembro 10, 2006

(...no more lonely nights)

Sem querer ser saudosista ou qualquer coisa assim, mas a década de 80 foi realmente muito boa.
A melhor de todas que já vivi.

As músicas sempre falavam de amores impossíveis. Tinham letra, tinham ritmo. Os filmes sempre mostravam adolescentes rebeldes, se divertindo à sua maneira. As crianças eram muito mais criativas, mais inteligentes.

É, a década de 80 foi realmente legal.
Trouxe com ela a maior parte dos meus amigos, tirando uns 3 ou 4 que nasceram antes.


E por falar em nascimento...

Não podia deixar de desejar um feliz aniversário pras minhas leitoras que sempre batem ponto por aqui. Feliz Aniversário, Cláu e Van. Van e Cláu. Tudo de bom pra vocês, garotas!

(elas não são umas fofas? até fazem aniversário no mesmo dia! Tá certo que a Cláu tá comemorando um dia antes, mas enfim...)

quarta-feira, setembro 06, 2006

(...but tonight i'm on my way)

Querido,

Há mais de 3 meses não tenho tempo para escrever-lhe direito. Não consigo achar problemas grandes o suficiente para comentar e nem minutos de sobra para falar das soluções que tenho encontrado.

Muita coisa mudou, caro amigo. Eu já não passo mais tanto tempo em casa e o tempo que passo, não tenho vontade de gastar escrevendo - afinal é isso, basicamente, que faço o dia todo.

Sabe, aquele filme foi ótimo. Mas já saiu de cartaz. A viagem do fim de semana passado também foi estupenda. Mas não quero entrar em detalhes. Alguns jobs saíram fáceis. Outros foram mais difíceis. Uns foram elogiados, meu comportamento nem sempre. Às vezes eu chego cedo, mas na maior parte do tempo, continuo me enrolando. Meus amigos ainda reclamam que eu não apareço, mas atualmente são raras às vezes em que isso acontece.

Comprei a mochila preta e o tênis azul marinho. Só não tenho o resto das coisas ainda porque não achei o que queria. Em compensação, começo a achar que conheci outro cara perfeito. Sem erros de português, com gosto musical parecido, cabelinho jogado pro lado, carinha de neném. Sim, ele é um fofo. Mas querido amigo, me perdoe por não querer falar mais sobre isso.


Sinto deixá-lo de fora. Logo você, que sempre me acompanhou e me ouviu, sem julgar. Mas saiba que tenho muito a agradecer por esses quase dois anos. Não se preocupe, embora não lhe escreva direto, sempre virei aqui para vê-lo.

Até a próxima, bloguxo.
Se cuida e não esquece de por um casaquinho, tá frio lá fora.

domingo, agosto 27, 2006

(...what's my age again?)

Yasmin tem 4 anos. E sonha em fazer 6.
Para ela, as meninas de 8 tudo podem.
São como grandes garotas, independentes.

Crystina Carolina tem 22. Mas sempre quis ter 18. Gosta do número 19, mas já que não pode voltar para esta idade, se conforma em fazer 23 no ano que vem.

E é só. Carolina pretende parar nos 23. E permanecer por longos anos, até completar 33 ou 44. Esses sim são números legais.

A avó de Crystina tem 80. Completou hoje. Acho que ela também pretende parar a idade por ai. Ok, vó. Só vamos atualizar sua idade quando a Sra. chegar aos 90. Enquanto isso, feliz aniversário.

quarta-feira, agosto 23, 2006

(...a million times I asked you)

And then
I asked you over again


A memorable Julia Roberts' line at Nothing Hill:


"After all... I'm just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her."
Aren't we all, my dear?


'Perhaps, perhaps, perhaps.'
(Cake)

terça-feira, agosto 22, 2006

sábado, agosto 19, 2006

(...os nossos japoneses são melhores)

...do que os da Concorrência.


Calma, Clau.
Eu explico o post abaixo.

Sim, eu sei que os japoneses são legais. Você é um exemplo. E conheço vários outros.
Mas nem tudo na vida a gente explica.

Não consigo explicar, por exemplo, porque gosto de mostarda e não gosto de peixe. Porque acho caras de óculos, em sua maioria, atraentes e odeio garotos muito perfeitos, tipo o Marcelo Anthony.

Com os japoneses é a mesma coisa. Acho que eles são uns amores, mas nunca namoraria um porque simplesmente não me sinto atraída pelo tipo. Assim como não sinto atração por negros. Não é preconceito, é uma questão de não rolar química com aquele biotipo.

Bem, explicada a parte dos biotipos...
Que ia ser divertido dar um neto moreninho pra minha mãe, isso ia. O japinha já tá a caminho.
Mas é muito cedo para pensar em (mais) netos.

quinta-feira, agosto 17, 2006

(...i didn't know i was looking for love)

Japoneses nunca fizeram meu tipo. Talvez porque um tenha me perseguido na quinta série e me deixado traumatizada.

Mas tenho a ligeira impressão de que vou me apaixonar por um logo logo :)

sábado, agosto 05, 2006

(...sempre, quase)

Você já teve a crise dos 30? Já parou pra pensar em toda a sua vida e reavaliou todas as suas prioridades? Já questionou suas escolhas e imaginou os "finais" diferentes?

E uma crise dos 30 aos 22? Você já teve dessas?

Como boa capricorniana que sou, sempre fui mais "madura" que os outros. Por isso, de nada me admira chegar a crise dos trinta oito anos antes.

Se eu não tivesse rompido com aquele cara que depois jurei estar apaixonada, estaria casada agora? Se eu não tivesse passado quatro anos jurando amor eterno ao mesmo cara, teria casado com aquele outro? Se eu escolhesse melhor quem entra na minha vida, tudo seria diferente? E a faculdade? O trabalho? A carreira? Os amigos?

Afinal, quem quer o diferente?

Não vou negar que já cogitei todas as outras possibilidades, mas não me sinto infeliz com a minha vida - na maior parte do tempo. É só de vez em quando que bate uma sensação de "o que foi que eu fiz até agora?".

O que eu fiz, não tenho certeza. Só sei que me tornei uma pessoa melhor - e não pior - devido à todas essas experiências. Não importa se foi preciso sofrer, fazer sofrer, quebrar a cara e descobrir o caminho do jeito mais difícil para chegar até aqui.

"Aqui" é um bom lugar. E ainda falta muito tempo pra virar uma balzaquiana.
Dá tempo de conquistar o que falta: o reconhecimento na carreira, o marido, as filhas, Londres, Atenas, Irlanda, Disney, meu Troller, estabilidade financeira e muito mais horas com quem eu amo.

Quanto aos outros finais, deixo-os para os Universos Paralelos.

(...quero ter alguém com quem conversar)

Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.
Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui, com a minha própria lei.
Tenho o que ficou e tenho sorte até demais...

(Legião Urbana)

Numa época - no mínimo - conturbada, o texto de hoje do Mais Você caiu como uma luva.

Não podia explicar melhor a minha necessidade de querer um espaço para ser a resmungona e a palhaça, a responsável e a delinqüente, a altruísta e a egoísta, a filha perfeita e a garota ciumenta.

Dizem que querer é poder. E que eu tenho sorte na vida.
Mas a vida pára quando você deixa de sonhar, desejar, buscar.
E acreditar em sorte me parece um tanto conformista.

O que eu quero? Ser capaz de abstrair quem eu acho que devo ser e ser quem eu sou. Assumir meu lado egoísta, resmungão, inexperiente e saber que isso não me torna incapaz. Ter noção de que eu nunca vou alcançar a perfeição, mas saber o momento certo de buscá-la.

Quero ter a certeza de que conquistei meu canto no mundo. De que tenho um espacinho só meu na memória ou no "coração" das pessoas.

Eu quero meu lugar, seja como filha, irmã, amiga, neta, tia, sobrinha, afilhada, redatora ou namorada.

E quero que esse espaço seja só meu. Quero que as histórias da minha vida - ou mesmo a minha vida - não se percam com o tempo. E que daqui 20 ou 30 anos, alguém ainda se lembre daquela garotinha que queria conquistar o mundo.

Será que isso é mesmo tão fútil, egoísta ou narcisista?




O que mais você quer?
Martha Medeiros

(...)
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa.

Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir.

O que eu quero mais?

Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, maridos e filhos e bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã.

E quero mais tempo livre. E mais abraços. E receber mais flores.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

quarta-feira, agosto 02, 2006

(...fatos da vida: parte nove mil, novecentos e noventa e nove)



Piada do dia:

Fiquei para titia.


Literalmente.



Bem-vindo à família. Bem-vindo ao mundo, Pequeno Ser.
Espero que seu nome não seja Páprika e sim Matheuzinho-san.

(...esse é só o começo do fim da nossa vida)

Especialmente hoje não farei um texto sobre neuroses próprias. Colocarei, sim, um texto de alguém que fala sobre a paranóia de todo publicitário.

E se a propaganda algum dia acabar? E se a gente virar vilão?

*O autor do texto, para quem não sabe, é o F da F/Nazca, uma put@ agência.



O fim da publicidade
FABIO FERNANDES

Num país distante, um sujeito estava vendo tevê. Passou um comercial de cerveja. O sujeito sorriu. Na verdade, gargalhou. Ele gostava de comerciais como aquele, com bom humor. Aí ele olhou para o lado e viu que seu filho tinha gostado também: “Legal esse né, pai?”. Concordou. E passou a odiar aquele comercial.

Como é que podia um comercial engraçado, agradar também ao seu filho, um imberbe menor de idade? Se eu, que sou inteligente para discernir entre o certo e o errado, quase gostei desse comercial como não estará a legião de pobres incautos consumidores?

Decidiu escrever uma carta para o Congresso. Algum deputado leu e concordou: inteligente, já havia pensado nisso. Fez um projeto de lei que foi votado e... pronto, salvou a sociedade: nunca mais haveriam comerciais de cerveja a infestar as ingênuas e influenciáveis cabecinhas.

Tempos depois, outro consumidor atento reparou nos comerciais de cosméticos. Ora, raciocinou, a busca pela juventude eterna, a celebração da estética, tudo em detrimento do conteúdo verdadeiro de nossas almas. Isso corrobora o abismo entre os despossuídos, que estarão irremediavelmente associados ao conceito do “feio” enquanto aos mais ricos caberá sempre a imagem de jovialidade, beleza e saúde. Solução: fim da propaganda de cosméticos em geral.

Todos aplaudiram no Congresso daquele país. Mas, eis que outro senador, igualmente inteligente (mais que a média da população daquele país, com tão poucos consumidores inteligentes), levantou outra questão. Se automóveis atropelam e matam, então melhor seria que não fossem anunciados para não despertarem nas próximas gerações a vontade de dirigi-los.

Foi por aclamação: aprovado. Assim como a emenda contra propagandas de hambúrgueres, e, já que esse era o assunto, de alimentos e restaurantes em geral, que era mesmo um despautério num país com tanta fome se admitir propaganda mostrando pessoas felizes comendo.

Aliás, por que as pessoas tinham que estar alegres na publicidade? Para despertar rancor nos entristecidos? E ficou proibido o sorriso na propaganda. No máximo seria permitida uma insinuação, de canto de boca. E depois da meia-noite, já que os tristes dormem cedo. Alguém lembrou dos insones solitários. E cortaram do texto aquela liberalidade.

Propaganda de moda? Segregacionista. De sabão em pó? Racista, sempre que valoriza o branco. De banco? Pelo amor de Deus, será que ninguém ainda parou para ver o que está embutido nas mensagens dos comerciais de banco, gente? A sensação de que só com o dinheiro se pode ser feliz, lógico! Cartão de crédito? Este mês, até sem dinheiro, você pode ser feliz, caramba.

Nos jornais, a imprensa apoiava cada uma das medidas. Alguns jornalistas adoravam a idéia de que seus salários são integralmente pagos pelo leitor que compra jornal na banca: publicidade só enfeia o conteúdo editorial.

A sociedade acuada pela sórdida propaganda apoiava as medidas. E reclamava de toda publicidade que brincasse com qualquer uma das suas convicções pessoais. Gordo não pode, magro, também. Padre, freira, careca, viúva, estudante, feio, bonito, mais ou menos feio, surfista, narigudo... nem pensar. Satirizou homem, é feminista. Mulher, lógico, é machista. A sociedade estava de mau-humor.

Até que um dia, alguém na casa do vizinho sorriu. Na verdade, gargalhou. E o sujeito que ouviu aquilo, não se sabe por que, teve uma intuição de que aquilo poderia ter alguma coisa a ver com a *&*%#!+*# (a palavra “propaganda” tinha sido proibida). Será que inventaram um câmbio negro de *&*%#!+*# e o meu vizinho conseguiu com traficantes uma fita de vídeo cheinha de *&*%#!+*#s engraçadas?, pensou o um formador de opinião. Pelo sim, pelo não, chamou a polícia.

sábado, julho 29, 2006

(...go, speedy racer, go!)

Aventuras no Supermercado

Crystina Carolina gosta de passear em supermercados - principalmente se estiver só acompanhando suas amigas. Leonora Beatriz é uma garota que gasta quase 40 reais só em guloseimas. E é uma das amigas de Crystina.

Estavam as duas a passear pela seção de roupas - um dos "points" do mercado -, quando Carolina calculou mal o tamanho do carrinho e acertou o calcanhar de Beatriz. A garota ficou irada e saiu correndo pelo mercado, a se esconder do carrinho assassino.

Minutos depois, Carolina se esconde atrás de um guarda-chuva da Magali e decide passar pela fileira em que Bia está. Mas Beatriz a surpreende ao começar a rir do tamanho do sutiã que estava a sua frente.

Crystina Carolina, com sua mania de "tudo me cabe", resolve experimentar o sutiã de avó e o coloca na cabeça. As duas riem mais um pouco, até os empregados do mercado aparecerem na seção. Crystina rapidamente coloca o sutiã no lugar correto, digo, no corpo!, e só então o devolve à prateleira.

Satisfeitas com as brincadeiras, parece que tudo vai voltar ao normal no mercado. Até Crystina decidir que quer andar de carrinho. Leonora começa a empurrar, mas Carolina fica com medo e desiste.

Espero que da próxima vez Crystina não desista. E que os funcionários do mercado demorem um bom tempo até se darem conta da finalidade que elas deram pro carrinho.

All in all, ir ao supermercado é legal.

(...fatos da vida: os pingos d'água)

Estou me sentindo meio Beethoven. Não o músico, o cachorro. Aquele do filme.

Não existe jeito melhor de bater o cabelo após o banho do que do modo como ele faz.

Pena que não achei uma foto para mostrar...