terça-feira, novembro 15, 2005

(...there're shadows from the scrapers on the pavement)



Às vezes abro a janela
E encontro o jasmineiro em flor
Outras vezes avisto nuvens espessas no ar.
(Cecília Meireles - A Arte de Ser Feliz)






Acostumada a viver em terreno plano, é quando contemplo o mundo por uma janela do 7º andar que percebo as diferenças.

No apartamento à frente, histórias acontecem. E a menina, curiosa, fica a inventar diálogos e cenários para o que vê.

(OH NÃO! A moça tirou a blusa.

Agora parecem haver duas iguais.

Gêmeas?

Ou seria só um espelho?

Mesmo corte de cabelo?

Quantas camisetas brancas existem no mundo?).


Não dá pra ouvir e nem saber a história real. Não se pode precisar a situação e nem o que aquelas pessoas estão pensando. O máximo que posso fazer é contemplar as janelas. E quando me cansar de um enredo, basta apertar o botão e mudar de "canal". Quase como uma tv.

Olhando para baixo, posso ver o Warner Channel exibindo o cotidiano de várias amigas, felizes. A janela logo acima e à esquerda mais parece o Telecine Emotion: triste e escura, transmite angústia e solidão.

Algumas janelas estão apagadas, como canais fora do ar. Em outras a vida acontece atrás de cortinas e talvez você deva pagar o Pay-per-View para saber suas histórias.

No Warner Channel, as moças continuam a trocar de roupa - talvez se preparando para a balada. No Telecine Emotion, o personagem principal entrou em cena e se encontra sozinho, sentado em frente a janela escura.

Não consigo definir exatamente em que canal estou. Ou mesmo se tem alguém olhando. Talvez alguém ache que as histórias desse apartamento valham alguma coisa. Quem sabe quem está assistindo?

quarta-feira, novembro 09, 2005

(...never been kissed)



Drew Barrymore se enganou quando disse que Nunca Foi Beijada. Talvez a experiência na infância a tenha traumatizado ou talvez beijar um extra-terrestre não conte.

Só sei que adoro os dois filmes - Nunca Fui Beijada e ET - O Extra-Terrestre - e adoraria ter assistido o primeiro na Sessão da Tarde hoje.

Ah! Bons tempos de Sessão da Tarde, sofá e sonecas. Triste vida de adulto, sempre corrida, cheia de coisas pra fazer.

Isso me lembrou que eu, supostamente, não tenho tempo pra escrever posts. Preciso terminar milhares de coisas ainda hoje.

sábado, novembro 05, 2005

(...a bug's life II: spiders)

A dona aranha subiu pela parede
Veio a chuva forte e a derrubou.



Não foi a chuva que tirou a aranha do seu caminho. Foi simplesmente o chinelo do papai.
Sim, eu detesto aranhas e grito pelo meu pai toda vez que vejo uma.
Dessa vez era marrom, confundiu-se com o piso quando caiu estatelada e morta no chão.

Espero que ela não saiba que matei outra aranha. Vai querer me matar.

(...a bug's life: formiguinhaZ)

De onde vêm as formigas?
Para onde vão?
E por que carregam com si aquelas que não conseguiram completar a jornada?

Seriam as formigas dotadas de poderes sobrenaturais, capazes de ressucitar os mortos? Ou seriam elas apenas canibais, necrófilas devoradoras de formiguinhas falecidas?

De madrugada, contemplando as fomigas do meu banheiro, descobri que elas parecem ser noturnas. Pela manhã, não vi nenhuma a andar pelos ladrilhos.

terça-feira, novembro 01, 2005

(...are you thinking of me when you fuck her?)

Does she know how you told me you'd hold me
Until you died, 'til you died
But you're still alive



Experiência própria. Histórias de amigas. Letra de música.
Parece que toda mulher tem um ex que nunca vai embora.
Ou talvez toda pessoa tenha um ex-significant-other that never leaves.

Sempre voltando do nada e sempre te deixando em dúvida, tais indivíduos parecem não entender que não existe espaço para eles no mundo atual. Mais ou menos como os dinossauros, ex-namorados deveriam ter sido extintos. Ex-tintos.

Chega de voltar atrás. Chega de dizer que sente saudades, que descobriu hoje que a pessoa em quem você deu o fora há anos-luz atrás é o amor da sua vida. Chega.

Estou lendo um livro engraçado sobre as desculpas que os homens usam. Chama-se "Ele Simplesmente Não Está Afim de Você". Pode não ser verdade tudo que o escritor, um comediante e roteirista de Sex & The City, diz. Mas é pra se pensar. Se o cara terminou contigo há meses atrás, curtiu a vida e agora está sozinho, não parece lógico ele querer voltar contigo? Mas é claro que você não deve esquecer que ele...terminou contigo! e que ele teve...outras! e que só AGORA ele quer voltar.

Dinossauros. Não. Existem. Mais.
Não na minha vida. Espero que na dela(s) também não.

quarta-feira, outubro 19, 2005

(...so i walk on and listen to the cd)

Cds são como livros - pelo menos pra mim. Cada um conta uma história diferente. Remete à lembranças das mais diversas. Como amante da música e, conseqüentemente dos cds, tenho o costume de colecioná-los.

Tem aquele cd que emprestei e nunca devolvi. Aquele que ganhei da tia - meu primeiro cd. Tem também aquele que é produto de um namoro horrível - embora só pelo cd tenha valido a pena.

Ultimamente agrupam-se à pilha de originais os da Maxwell e aqueles "Made In Paragua". Mas não os considero menos importantes só porque são falsificados. Cansei de comprar cd por uma só música.

Só sei que, não importa a marca ou a origem, o que mais detesto é *perder* histórias, lembranças. Perder cds. Acabei de lembrar - enquanto fuçava na minha eclética coleção - que estou com dois a menos do Blackmore's Night.

Notei também outro fato: preciso de um esquema melhor de armazenagem de recordações. Este anda muito confuso!

sexta-feira, outubro 14, 2005

(...what's the meaning of life?)




Se a esperança é a última que morre
E você acabou de voltar do funeral dela
Me ensina como viver agora?



Talvez a vida seja feita de lições. Talvez haja um grande significado para tudo isto. Mas talvez, só talvez, você só consiga viver com esperança.

Esperança em um mundo melhor. Esperança de que, um dia, as coisas vão mudar. Esperança que a fase ruim passe logo.

Dizem que a esperança é como as sogras, a última que morre.
Bem, digamos que reabri a caixa de Pandora e a Esperança, a última das virtudes, saiu pelo mundo e me deixou aqui, com a "caixa" vazia.

Qual o sentido da vida? Pra que servem as lições?
Gostaria de pensar que existe mesmo um sentido. E que toda fase tem seu motivo.
No momento só consigo lembrar que existem pessoas que dependem de mim. Não de forma vital e muito menos financeiramente. Mas dependem de uma forma tão mais complicada que às vezes o peso da dependência é muito grande - e meus ombros estão cansados.

Tais pessoas não pedem muito, só um sorriso no meu rosto, minhas palhaçadas características, as piadas infames...
Sinto muito, pessoas. Hoje não dá. Não deu. Já foi!

Amanhã a gente dá um reset no meu humor e espera que eu consiga, pelo menos, fingir melhor e não demonstrar todos os conflitos da minha mente.
Amanhã é um outro dia. É fato. Não precisa ter esperança pra saber disso.

PS: Se você acha que pode resolver meus problemas, não pode. Se você achou o post deprê, vai se f... . O blog é meu, os pensamentos também. Já cansei de chorar e só me resta escrever.

[Note to self: com *CERTEZA* vou me arrepender deste post. Deixa só meu lado "feliz" e "forte" ler isso!]

quinta-feira, outubro 13, 2005

(...don't you just love BONSAIS?)

1984. Karate Kid I. Sr. Miagui. Daniel San.
Lógico que eu tinha acabado de nascer e nem vi o filme, mas repetiu tanto nas Sessões da Tarde enquanto eu crescia que a história do menino ocidental que aprende um pouco da cultura de seu mestre, um oriental, tá guardada na memória.

(BONSAI. Do japonês bon = bandeja e sai = planta, sua tradução literal é "plantado numa bandeja". )

O tempo passou, muitos filmes depois, me pego pensando sobre os conselhos de um psiquiatra à Sandra Bullock naquele filme 28 dias. Ele dizia algo como: primeiro tente ter uma planta, depois um cachorro. Quando conseguir cuidar dos dois por um período maior do que dois anos, você pode tentar um relacionamento. É uma citação besta, mas achei bem verdadeira. Foi dai que surgiu a frase do meu perfil.

É, eu já matei dois bonsais e alguns milhares de relacionamentos.
Mas não é esse o motivo do post.

O que eu nunca esperei com a tal frase foi encontrar alguém que a levasse tão à sério a ponto de...
...me dar um bonsai!

Foi uma ação tão digna de mim mesma que me deixou de queixo caído.
Ponto 1 para você, Mister!


Eis aqui o bonsai.





quarta-feira, outubro 12, 2005

(...i found a way to make you smile)

Ontem, e não hoje, uma moça pagou minha passagem de ônibus. Do nada. Sem sentido. Sem por quê.
Simplesmente levantou-se de seu banco e disse: vamos, passe na minha frente, eu pago sua passagem. E eu fiquei sem entender nada.

Depois peguei o outro ônibus com o sujeito que derrubou um Clorets - novinho - em cima do meu tênis outro dia.

À tarde, a menina com quem trabalho ganhou um rocambole. Parece que a mãe de um funcionário a ouviu dizer que fazia aniversário junto com o moço e, dois meses depois, eis que chega o "bolo".

Às vezes, mas só às vezes, as pessoas me surpreendem de uma forma boa. Quem dera todo dia fosse assim, cheio de ações altruístas.
O mundo estaria bem melhor, com certeza.


Já ia me esquecendo. Feliz dia das Crianças.
*Porque ser criança é nunca deixar de acreditar num mundo melhor!

sexta-feira, outubro 07, 2005

(...i beg your pardon)

I never promised you a rose garden.


Propaganda reversa. Covardia. Insegurança.
Podemos listar 'aKI(M)' uma série de defeitos, mas nenhum deles completaria a "figura" sozinho.

_Antipática/_Rude/_Avoada/_Distraída mesmo/_Grossa/_Dona de um humor negro horrível/_Adora fazer piadas infames, das quais só ela ri/_Insegura/_Criança/_Sempre atrasada/_Mimada/_Ciumenta/_Possessiva/_Vive dando os canos nos amigos ou recusando convites para sair só para ficar no conforto de seu lar/_Egoísta/_Emburra com a mesma facilidade com a qual sorri/_Descoordenada/_Não revela muito sobre si, a menos que seja questionada a respeito/_Bagunceira/_Desorganizada/_Detesta maquiagem, calças justas ou blusas com decote/_Gosta de se vestir confortavelmente, por isso você vai encontrá-la sempre de tênis e calças largas/_Só funciona sob pressão/_Vive no mundo da Lua, acredita em contos de fada, mas sempre se apaixona pelo cara errado, que no fim só a faz sofrer/_Não cozinha/_Não aceita elogios com facilidade/_Não acha possível que alguém a ame quando essa pessoa só a conhece há 15 minutos.


De todos os seus defeitos, talvez o maior seja a necessidade de provar os outros errados. Provar que quem julga pela capa, acaba perdendo um bom livro. Quem julga pela aparência, vestimentas ou primeiras atitudes, perde um bom amigo.

As vantagens de quem supera o "desafio"? Ask to my friends, they can tell ya!


PS: Era pra sair um post fofinho sobre um 'presente' que ganhei hoje, mas meu humor - e o sono - não deixaram. Fica pra próxima!

domingo, outubro 02, 2005

(...bad boys, bad boys, whatcha gonna do?)

Whatcha gonna do
When they come for you?


Com este papo todo de Referendo, de proibição de venda de armas, alguns conflitos surgiram na minha cabeça. (Mais conflitos?!! É, não existe MESMO limite para uma mente complicada).

Mas voltando às armas, se proibirmos as de fogo, deveremos também proibir as palavras? Porque arma de fogo fere o corpo, palavra machuca a alma. Qual a pior dor? Qual mata mais rápido?

Não creio, do alto das minhas duas décadas (e alguns muitos dias) de vida, que os crimes passionais diminuirão sem os revólveres e pistolas. Ainda haverão facas, machados, martelos, vasos de planta, rolos de macarrão e o que quer que esteja ao alcance de uma mente cheia de raiva.

Qual, então, será a solução para o problema? Será que você acredita tanto na segurança pública a ponto de abrir mão de um direito de escolha?

Quanto às outras armas, menos tangíveis, mas letais do mesmo jeito, só nos resta esperar que as pessoas tenham consciência o suficiente para saber que palavras mal ditas causam tanto sofrimento quanto o encontro entre o mindinho do pé e o canto de um móvel.

terça-feira, setembro 06, 2005

(...hang the dj)

Imagine uma mídia alternativa. Imagine que os cds no futuro conterão a logomarca de seus patrocinadores junto com as músicas. E que os discmans exibirão as logos em seus displays de lcd. Imagine as propagandas de rádio, os anunciantes tendo sua marca vista nestes mesmos visores.

E se a publicidade viesse atrelada às músicas? Então nem mesmo os cds "piratas" se livrariam da propaganda. A indústria de gravadoras continuaria ganhando e nós poderíamos gravar nossos próprios cds, legalmente! Weee!

Loucura? Talvez. Mas tive essa idéia contemplando o discman enquanto esperava o mundo voltar a rodar no salão de beleza.
Talvez seja maluquice minha. Ou talvez os japoneses estejam pensando a mesma coisa que eu, neste exato momento.

Anyway, I'm out of town. Out of order.

domingo, agosto 14, 2005

(...you did your best but you were only being you)

Ele nunca quis uma filha. Ela nunca teve um pai.

Cliente e Caixa automático - muitas vezes "indisponível" para saque. Para ela, seu pai é alguém com quem convive, mas não conhece. Mais uma pessoa para ela se preocupar, para tomar conta.

Os papéis sempre foram invertidos - exceto quando era uma garotinha em busca de aprovação. Lembro quando ela corria para mostrar o 10 que tirou no boletim e ele...cobrava mais. Queria que ela tirasse 11.
Ela aprendeu a jogar futebol, a torcer pelo time dele, a ser paciente. Nada parecia agradá-lo. O céu parecia ser o limite. E quando alcançasse, então teria que trazer o Universo.

O tempo passou e hoje é ela quem cobra. Espera por "melhores notas", "melhor comportamento", "mais esforço".

Não sei exatamente quem precisa de quem nessa relação. Talvez ela só precise saber que ele existe, mesmo que eles não convivam ou conversem o suficiente. Talvez ela só precise que ele precise dela. E ele sempre precisa...

No fim das contas, ela teme ser como ele. Teme ser alguém tão egoísta ou tão ruim em demonstrar seus sentimentos.

Em partes, ela sabe que são parecidos. E isso a assuta mais do que tudo.
Ela sempre tentou ser o melhor, mas talvez isso seja mais forte do que ela. Talvez esteja no sangue - ou no modo como foi criada.


Anyway, "feliz" dia dos pais, Mr. S.
Love ya (in my own way).

terça-feira, agosto 09, 2005

(...raindrops keep falling on my head)

But that doesn’t mean my eyes will soon be turnin’ red
Crying’s not for me
Cause I’m never gonna stop the rain by complainin’


Alguns são conservadores. Outros, espalhafatosos.
Alguns têm motivos infantis, outros fazem propaganda mesmo.
Uns são pretos, sóbrios. Outros parecem saídos da década de 60.
Aqueles que os têm, carregam. Os que não têm, se arrependem.

Tem gente que dança com eles na chuva, outros dançam em dia de sol.
Os antigos os usavam para proteger-se dos raios ultra-violetas.
Servem também para bater nos inconvenientes.

Particularmente, eu os odeio. Mas nos dias que "São Pedro resolve lavar o céu", até que são úteis.

terça-feira, agosto 02, 2005

(...no donut for you)

Tempo, tempo mano velho
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Server is busy. So is Karina.

Odeio etiquetas. Odeio coisas que grudam, odeio gente grudenta.
Pior do que grude é ter que "modelar" a meleca.
Ah, vai entender!

Se respirar não fosse uma tarefa "mecânica", aposto que hoje teria morrido sem ar!

E as pessoas que atendem mal? Merecem a morte. Vendedor tem que ter sempre um sorriso no rosto, não importa se o pai morreu, se o cachorro pegou caxumba, se o gato tá com lepra...

Odeio gente de mau humor. Talvez porque eu seja uma péssima mal-humorada.
Dentre as máximas da vida, descobri que quanto mais cedo você acorda, pior é! Nem tanto por acordar cedo - coisa que eu odeio - mas pelo povo ignorante que você, com certeza, encontrará no ônibus. Povo que empurra e grita: tem espaço no fundo. Povo que não sabe pedir licença e acha que o cotovelo nas costas é uma forma de cumprimento.

Odeio gente. Mas amo pizza.
Ainda bem que não fui eu a falar com o tio da Twister, senão adeus alegria!

Ah! Esqueci de comentar. Mereço plaquinha de Patrimônio da UFPR já. 1 ano de estágio hoje.

Dio santo, como o tempo passa...